Pesquisadores chamam atenção para situação dos povos indígenas na Amazônia

Foto: Reprodução

“Além da doença em si, a população também corre risco de passar fome”, explica Tiago Moreira, pesquisador do Programa de Monitoramento de Áreas Protegidas do Instituto Socioambiental (ISA)

A nona edição da série de webinários, População e Desenvolvimento em Debate, que foi transmitida na última quarta-feira (24), pelo canal do Fundo de População da ONU (UNFPA) no YouTube. O tema de debate foi A pandemia de Covid-19 e a crise ambiental e sanitária na Amazônia. Nesta edição, foi discutido o acirramento das desigualdades e riscos identificados na região a partir da relação fundamental entre população e ambiente que constituem este espaço.

Dentro da discussão, Tiago Moreira, pesquisador do Programa de Monitoramento de Áreas Protegidas do Instituto Socioambiental (ISA), chama atenção para situação dos povos indígenas na Amazônia em meio à pandemia da COVID-19. Compartilhou que o desmatamento dentro das terras indígenas, consideradas áreas protegidas, aumentou em 80% entre 2018 e 2019, e aponta uma possível atuação de pessoas de fora nessas terras.

Além disso, o pesquisador pontua a existência de estudos que apontam garimpos como um dos grandes causadores de endemias na Amazônia. Como exemplo, trouxe a terra indígena povoada pelos Ianomâmis. São cerca de 27 mil indígenas nesse território e 20 mil garimpeiros na mesma área. Tiago Moreira demonstra preocupação neste cenário: “A população Ianomâmi corre o risco de ter pelo menos 40% de infectados pelo novo coronavírus. Além da doença em si, a população também corre risco de passar fome, pois os indígenas em idade ativa que estão infectados não conseguem mais produzir para a aldeia”.

O coordenador do programa de monitoramento da Amazônia e demais biomas do Instituto de Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Cláudio Almeida, trouxe ao debate uma visão geral de como o monitoramento do desmatamento da Amazônia é realizado. “O desmatamento acontece principalmente durante a estação de seca. Todo os anos, pegamos uma nova imagem e identificamos novas áreas de desmatamento, e comparamos com o ano anterior”, explica o coordenador. Além disso, aponta que depois de 2012 – ano com menor pico de desmatamento – se iniciou uma aceleração no desmatamento da Amazônia, crescendo todos os anos.

Cláudio também compartilha que, além do monitoramento anual, realizam o diário, que auxilia os órgãos de fiscalização a identificarem onde está ocorrendo o desmatamento, que, por sua vez, identificam as atividades que ocorrem no local. Os dados coletados pelo INPE em relação à Amazônia estão disponíveis no portal terrabrasilis.dpi.inpe.br, em mapa e em análise gráfica.

Por sua vez, o professor da Universidade Federal do Pará, Harley Silva, acredita que o atual repertório urbano brasileiro não é adaptado às dinâmicas ambientais e econômicas da Amazônia, e por isso, não existe um enriquecimento mútuo entre sociedade e natureza. Pontua que no momento atual, existe a necessidade de distinguir e entender o que é a cidade, os processos de urbanização e o urbano. “Desta forma, deixamos de acreditar que os processos de transformação social dependem de miragens como o protagonismo industrial, a conservação sem uso ou a antítese urbano-rural”, explica o professor.

Os palestrantes convidados foram: Cláudio Almeida, coordenador do programa de monitoramento da Amazônia e demais biomas do INPE; Harley Silva, professor na Universidade Federal do Pará (UFPA); e Tiago Moreira, pesquisador do Programa de Monitoramento de Áreas Protegidas do Instituto Socioambiental (ISA). A mediação do webinário foi realizada por Thais Tartalha Lombardi, pesquisadora colaboradora da Faculdade de Ciências Aplicadas (FCA/Unicamp).

Assista esse debate na íntegra:

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