
Promotoria acusa prefeito de Turilância no Maranhão, primeira-dama, pai, irmãos, tio e cunhados por desvios de R$ 56 milhões dos cofres públicos. É mais um prefeito da direita brasileira enfrentando as barras da Justiça por corrupção
O Ministério Público do Maranhão denunciou nesta segunda-feira (19) o prefeito de Turilândia, Paulo Curió (União Brasil), a primeira-dama, a vice-prefeita, uma ex-vice-prefeita e outros familiares por suposta participação em uma organização criminosa responsável pelo desvio de R$ 56 milhões dos cofres públicos do município.
A denúncia, apresentada no âmbito da Operação Tântalo II, aponta que o esquema teria atuado principalmente nas áreas de Saúde e Assistência Social, com uso de empresas de fachada, contratos fraudulentos e manipulação de processos licitatórios. O inquérito tramita no Tribunal de Justiça do Maranhão, sob relatoria da desembargadora Maria da Graça Amorim.
Fraude nas licitações
Segundo o Ministério Público, Paulo Curió teria liderado o grupo, valendo-se do cargo para organizar o esquema, desviar recursos públicos, fraudar licitações e ocultar a origem dos valores por meio de terceiros e empresas interpostas. Além dele, foram denunciados o pai, irmãos, tio e cunhados do prefeito, além de agentes políticos ligados à administração municipal.
Na segunda fase da operação, deflagrada em dezembro pelo Gaeco, o prefeito, os 11 vereadores do município, um secretário e empresários foram presos. Parte dos investigados permanece em prisão domiciliar, e durante as buscas foram apreendidos cerca de R$ 5 milhões em dinheiro vivo.
Prisão domiciliar
Os vereadores alcançados pela Operação Tântalo II seguem em prisão domiciliar, mas continuam despachando da Câmara de Turilândia.
Durante buscas no dia da operação, autorizada pela 3.ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Maranhão, os promotores apreenderam uma pilha de dinheiro vivo. Inicialmente, a contagem indicou R$ 5 milhões recolhidos nos endereços de investigados, informou o Ministério Público.
O nome da operação faz referência a Tântalo, personagem da mitologia grega condenado a uma punição eterna no submundo. Ele permanecia em um lago de águas cristalinas, com frutos ao alcance da vista, sem jamais conseguir saciar a sede ou a fome.
De acordo com o Ministério Público do Maranhão, a “metáfora é utilizada para representar o esquema investigado, no qual recursos públicos destinados a contratos para fornecimento de bens e serviços não resultaram em benefícios efetivos à população”.
MP
O Ministério Público informou ainda que uma segunda denúncia deve ser apresentada nos próximos dias.
A defesa dos denunciados não havia se manifestado até a publicação desta matéria; o espaço segue aberto.




