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Terras indígenas de Roraima avançam como novo polo comercial de milho no Brasil

Comunidade indígena inicia colheita de milho em Bonfim/Roraima - foto: reprodução

Nas savanas e lavrados de Roraima, comunidades indígenas impulsionam o cultivo de milho em escala comercial, transformando suas terras em uma frente produtiva apoiada por políticas públicas do estado e do governo federal.

Nas terras indígenas de Roraima, uma nova frente de produção agrícola vem ganhando força: o cultivo de milho em escala comercial nas comunidades indígenas. O tema reúne diferentes dimensões econômica, social, ambiental e de políticas públicas e merece atenção para entender até que ponto se pode falar em “referência nacional”.


Avanços

De acordo com levantamento do governo estadual, na safra 2022, 1.180 hectares indígenas foram destinados ao plantio de milho, resultando em produção significativa dentro da agricultura familiar e indígena.

Governo de Roraima investe em novos equipamentos agrícolas para fomentar agricultura familiar e indígena do Estado – foto: Governo de Roraima

Em 2024/25, o estado de Roraima como um todo ampliou sua área produtiva de grãos e registrou salto expressivo na produção de milho, 77,8% de aumento em relação à safra anterior.

Na comunidade indígena de Bonfim, por exemplo, cerca de 100 famílias iniciaram a colheita de milho verde em 2025 com apoio técnico-estatal. https://portal.rr.gov.br/

Além disso, foi realizado o “I Encontro de Prospeção e Valorização da Agricultura Indígena” pela Embrapa Roraima, com foco em milho e algodão, demonstrando que há interesse técnico-científico em promover esta linha de produção nas comunidades indígenas.

Embrapa – “referência nacional”

Para que as terras indígenas de Roraima sejam efetivamente consideradas referência nacional na produção de milho, alguns critérios devem ser observados:

  • Produtividade por hectare competitiva com médias estaduais ou nacionais.
  • Escala de plantio e colheita que vá além de iniciativas piloto ou de subsistência.
  • Inserção da produção em cadeias comerciais reais, não apenas para consumo interno, mas para venda em mercados externos ou industriais.
  • Sustentabilidade ambiental e socio-cultural das práticas agrícolas adotadas pelas comunidades indígenas.
Iniciada a colheita do milho em Bomfim, no estado de Roraima – foto: reprodução

Pontos positivos

A participação de comunidades indígenas na produção agrícola comercial oferece possibilidade de geração de renda, fortalecimento da autonomia produtiva e diversificação econômica para famílias que historicamente dependem de subsistência.

A articulação entre políticas públicas, extensão rural e assistência técnica (como tratores, corretivos de solo, insumos) mostra que o modelo está sendo estruturado e apoiado institucionalmente.

O fato de o milho já ser o grão com maior crescimento em Roraima reforça que a cultura tem espaço de expansão — o estado registrou forte aumento na produção de milho em 2024/25.

Desafios e ressalvas

Ainda que existam avanços, não há evidências claras de que todas as comunidades indígenas estejam produzindo milho com escala ou tecnologia equivalente ao agronegócio tradicional. Por exemplo, muitos plantios ainda ocorrem em quantidade mais modesta ou com objetivo de subsistência.

Há relatórios de controvérsias envolvendo insumos e sementes em terras indígenas no estado — um exemplo crítico levantado é o uso de sementes transgênicas e agrotóxicos em projetos indígenas, o que gera questionamentos legais, ambientais e éticos. InfoAmazonia

A expressão “referência nacional” exige não apenas bom desempenho local, mas visibilidade e replicabilidade. Ou seja, que o modelo desenvolvido possa inspirar outras regiões e comunidades indígenas do Brasil.

Referência nacional

É possível afirmar que as terras indígenas de Roraima estão se tornando uma referência promissora na produção de milho em escala comercial. Há evidências de crescimento, apoio técnico e articulação institucional.

Entretanto, ainda é prematuro decretar que sejam totalmente uma referência nacional consolidada, visto que há desafios a vencer quanto à escala, competitividade, comercialização e sustentação socioambiental do modelo.

Colheita do milho em terras indígenas:

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