
A prisão do treinador de jiu-jitsu Melqui Galvão, de 47 anos, nesta terça-feira (28), provocou grande repercussão no cenário esportivo brasileiro e acendeu um alerta sobre a proteção de crianças e adolescentes em ambientes esportivos. Conhecido por formar atletas de alto rendimento, ele agora é investigado por suspeita de envolvimento em crimes de natureza sexual contra menores.
A medida foi determinada pela Justiça de São Paulo, que decretou a prisão temporária pelo prazo de 30 dias. O mandado foi expedido no dia 23 de abril de 2026 e integra um processo que tramita sob segredo de Justiça. Além da detenção, foram autorizadas ações como busca e apreensão e quebra de sigilos, com o objetivo de reunir provas e aprofundar as investigações.
Segundo informações do processo, as suspeitas incluem crimes como estupro de vulnerável, importunação sexual, ameaça e invasão de dispositivo eletrônico. Os relatos iniciais apontam que os supostos crimes teriam ocorrido em um contexto de proximidade e confiança entre o treinador e alunos, o que agrava a gravidade das denúncias. A polícia também investiga indícios de que vítimas possam ter sido intimidadas para não denunciar os casos.
De acordo com informações preliminares, Melqui Galvão se apresentou espontaneamente às autoridades e está preso em Manaus, onde aguarda o andamento das investigações.
Além de sua atuação no esporte, o treinador também é servidor público e ocupa o cargo de investigador da Polícia Civil do Amazonas. Dados disponíveis no Portal da Transparência indicam que ele segue com vínculo ativo com a instituição, com registros na folha de pagamento nos primeiros meses de 2026.
Por ser um servidor concursado, a eventual perda do cargo não ocorre automaticamente com a prisão. O caso deve ser analisado administrativamente por meio da Corregedoria, que poderá instaurar um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) para apurar a conduta. Dependendo das conclusões, medidas como afastamento, suspensão ou até demissão podem ser aplicadas, respeitando o devido processo legal.
No universo do jiu-jitsu, Melqui Galvão construiu uma trajetória consolidada, sendo responsável pela formação de atletas que ganharam destaque no cenário nacional e internacional. Entre os nomes associados à sua equipe estão Diogo Reis, Fabricio Andrey e Brenda Larissa, todos reconhecidos por desempenho em competições importantes da modalidade.
Além dos resultados esportivos, o treinador também era conhecido por iniciativas sociais em Manaus, voltadas à inclusão de jovens em situação de vulnerabilidade por meio do esporte. Esses projetos contribuíram para consolidar sua imagem pública ao longo dos anos.
A prisão gerou reação imediata na comunidade do jiu-jitsu, com manifestações de surpresa, preocupação e cobrança por posicionamentos de atletas, academias e patrocinadores. O episódio também reacendeu discussões mais amplas sobre a necessidade de mecanismos de proteção, fiscalização e canais de denúncia em ambientes esportivos frequentados por menores de idade.
Especialistas apontam que casos como este reforçam a importância de políticas de prevenção e de protocolos claros dentro de academias e instituições esportivas, a fim de garantir a segurança de crianças e adolescentes. A confiança estabelecida entre treinadores e alunos, embora fundamental para o desenvolvimento esportivo, exige também responsabilidade e vigilância constante.
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Até o momento, não há condenação judicial. O caso segue em investigação e deve respeitar os princípios da ampla defesa e do contraditório, garantindo que todas as partes envolvidas sejam ouvidas antes de qualquer decisão definitiva.




