
Racha no PL-AM, expõe acusações entre Alfredo, Maria do Carmo, aliados e uso de ‘laranjas’. Fundão eleitoral virou combustível de uma disputa interna, com acusações mútuas de distribuição desigual de dinheiro aos candidatos e ameaças de divisão no PL do Amazonas, justo na reta final das eleições de primeiro turno.
O presidente da legenda, Alfredo Nascimento, seria o pivô da divisão interna e também acusado de dar pernada milionária em Maria do Carmo, uso de candidaturas ‘laranjas’ para turbinar própria campanha e extorsão com estúdio obrigatório (vídeo).
A crise interna do Partido Liberal (PL) no Amazonas ganhou um novo capítulo com acusações públicas e relatos de bastidores envolvendo a distribuição do Fundo Eleitoral, o presidente estadual da sigla, Alfredo Nascimento (PL), é acusado de favorecimento de determinadas candidaturas, que favorecem a sua hipotética ida à Câmara Federal.
O Delegado Costa e Silva passou a questionar abertamente a forma como o presidente estadual do partido, Alfredo Nascimento, vem conduzindo os recursos destinados às campanhas. Segundo ele, há forte desigualdade na distribuição do dinheiro e concentração de valores em candidaturas consideradas prioritárias pela direção.
Maior fatia do bolo para Alfredo nascimento
Entre as reclamações apresentadas, está a informação de que Alfredo Nascimento teria reservado a maior fatia do bolo para si, cerca de R$ 3 milhões para sua própria campanha a deputado federal e valor semelhante para o “suposto puxador de votos’, Sargento Salazar (PL), enquanto outros nomes da legenda teriam recebido repasses muito inferiores, na faixa de R$ 50 mil.
As acusações, até o momento, são tratadas como denúncias políticas e relatos internos e precisam ser confrontadas com a prestação de contas oficial do partido e dos candidatos junto à Justiça Eleitoral.
Acusações graves de Cota de Gênero
Outro ponto sensível envolve candidaturas femininas. Relatos de bastidores acusam a direção partidária de utilizar candidaturas de mulheres apenas para cumprir formalmente as regras de financiamento e distribuição de recursos, com posterior direcionamento político do dinheiro para campanhas consideradas prioritárias.
A acusação é grave porque o uso fictício de candidaturas femininas pode configurar fraude à cota de gênero e gerar consequências eleitorais severas, caso seja comprovado.
Também há relatos de tratamento considerado autoritário por parte da direção estadual em reuniões com candidatas do partido.
Até agora, porém, não há decisão judicial conhecida que confirme a existência de candidaturas laranjas no PL do Amazonas nesta eleição.
Pernada em Maria do Carmo
A crise também alcança a candidatura majoritária de Maria do Carmo. Segundo relatos internos, ela teria negociado em Brasília um repasse de aproximadamente R$ 7,5 milhões junto à direção nacional do partido, mas o valor teria sido reduzido para cerca de R$ 4,5 milhões após intervenção da estrutura estadual.
A versão alimenta o discurso de que ela teria levado uma ‘pernada’ de Alfredo Nascimento, por causa de uma suposta disputa interna pelo controle dos recursos eleitorais e uma tentativa de concentrar poder financeiro nas mãos da direção regional.
Caso os valores sejam confirmados nas prestações de contas oficiais, a diferença poderá se transformar em um dos pontos mais explosivos da crise.

Estúdio sob vigilância
Candidatos relatam que teriam sido pressionados a utilizar um estúdio ou produtora ligados à estrutura partidária, com valores que variariam entre R$ 7 mil e R$ 15 mil por produção.
A suspeita levantada internamente é de que parte dos recursos recebidos por candidatos através do Fundo Eleitoral acabaria retornando para empresas ou estruturas ligadas a Alfredo Nascimento.
Mais uma vez, trata-se de uma acusação que exige comprovação documental, especialmente por meio de notas fiscais, contratos, fornecedores declarados e prestações de contas eleitorais.
Costa e Silva desafia Alfredo
Diante da crise, Costa e Silva elevou o tom e desafiou Alfredo Nascimento a abrir mão dos recursos do Fundo Eleitoral e disputar a eleição em condições semelhantes às dos demais candidatos.
Ele também retomou críticas ao passado político de Alfredo, lembrando sua passagem pelo Ministério dos Transportes e alianças construídas ao longo de diferentes governos. O embate revela que a disputa deixou de ser apenas administrativa.
Hoje, o PL do Amazonas vive uma guerra por espaço, dinheiro e controle político em plena campanha eleitoral. Se as acusações avançarem para representações formais na Justiça Eleitoral, a crise pode deixar de ser apenas partidária e ganhar consequências jurídicas.
Por enquanto, o que já está claro é que o Fundão virou combustível de uma disputa que ameaça dividir ainda mais o PL amazonense no momento em que a legenda deveria estar concentrada na eleição.




